Geografa Cultural do Café: Poema O CAFÉ de José Cândido da Costa Sena,

Canto a bebida que a correr, cheirosa. Toda santa manhã, junto ao fogão. Reúne da família os membros todos em gostosa, inocente comunhão.

Eu te amo, ó café, na porcelana.

Do fidalgo, na chicra do roceiro, Mas é na pátria Minas que te adora Na cuia negrecida do tropeiro. Sim, de Junho, nas noites friorentas. Junto ao fogo, no rancho, sobre o couro. Ao som de uma viola requebrada.

Com um cigarro do Pomba, és um tesouro E aqui, sem um amor, entre estes livros. Em que a alma, sedenta em vão se cansa, E's tu, meu velho amigo, que me inspiras. Que me fazes sonhar uma esperança. O' café foi um génio quem te uniu Do auri-verde pendão aos vivos brilhos!

Do Brasil representas a riqueza

E o talento fecundo de seus filhos. Quando eu fôr moribundo, ó meus amigos.

Lançai fóra, os xaropes de Galeno,

E instalai em meus lábios ressequidos

O nêtar que êle chama de veneno. E—como^ Andrada (1), sobre a sua lousa, A forma de um pézinho feiticeiro, —Eu peço, sobre a minha sepultura. Em logar de cipreste, um cafezeiro". Não tem esta poesia o sabor e o aroma da bebida que ella celebra?

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