Cafeicultura na Média Mogiana: os impactos socioeconômicos da cadeia produtiva do café no município de Espírito Santo do Pinhal e seu entorno.

Obs.: Este texto é fruto de uma iniciação científica no IFSULDEMINAS - Poços de Caldas, realizada pela aluna Giovanna M. Ramos de licenciatura em Geografia, em 2017, sob minha orientação. Pesquisa apresentada na Jornada Científica do IFSULDEMINAS em 2018. Agradecimentos  a empresa Pinhalense


Resumo
Este trabalho deseja demonstrar a importância da cafeicultura para o município paulista de Espírito Santo do Pinhal, através de revisão bibliografia, trabalho de campo e coleta de dados. Percebe-se que além de grande produtor de café, o município   também atende, através do setor secundário, escala global. É notória a importância do café para o município, tanto no passado, quanto para os dias atuais.

Espírito Santo do Pinhal, município do interior paulista, tem seu surgimento ligado a doação das terras da Fazenda do Pinhal, pertencentes a Romualdo de Souza Brito e sua esposa Maria Tereza de Jesus que, para solucionar um problema de disputa de terra, doam as terras para a formação do patrimônio do Divino Espirito Santo. Após um pequeno adensamento, o povoado tem sua emancipação e recebe o título de município, desmembrando-se de Mogi Guaçu e Mogi Mirim em 9 de abril 1877, de acordo com Tessarine e Torres (2008).

      Espírito Santo do Pinhal é um município do interior paulista, que está inserido na Região Administrativa de Campinas. Sua Região de Governo é de São João da Boa Vista.
 No último censo realizado pelo IBGE (2010), a população total do munícipio era de 41.907 habitantes, sendo que 88,88% são residentes no espaço urbano e 11,12% no espaço rural. (No atlas do desenvolvimento humano tem esta informação)
       De acordo com a hierarquia urbana das Regiões de Influência (REGIC) de 2007, o município se classificaria como um Centro de Zona B, que exerce influência nos Centros Locais de Santo Antônio do Jardim-SP e Albertina-MG, com as respectivas populações de 5.943 habitantes e 2.913 habitantes no ano de 2010. Segundo Legatti (2009), a importância das cidades de pequeno porte se dá pela produção de produtos que sustentam a economia do país, e no caso de Espírito Santo do Pinhal, o principal produto é o café.
Os moradores de Espírito Santo do Pinhal e habitantes dos municípios vizinhos, conhecem a importância da cafeicultura para o município de estudo, porém, com exceção aqueles que estão ligados a cafeicultura, não sabem a dimensão dessa importância em âmbito municipal, e também dela para outras escalas, como estadual e nacional.
O principal objetivo do presente trabalho, é analisar como as atividades ligadas ao café eram e ainda são importantes para Espírito Santo do Pinhal, dando ênfase aos fatores ligados ao atual setor secundário, isto é, das indústrias que se inter-relacionam com a produção cafeeira, seja pelo beneficiamento do café, ou na produção de maquinários voltados a cafeicultura.
Pretendeu-se formar um quadro dos impactos socioeconômicos da cafeicultura no município objeto de estudo, através da revisão bibliográfica de livros e artigos referente aos temas: história de Espírito Santo do Pinhal e cafeicultura. Também, utilizou-se de notícias referente ao café no município e dados secundários provenientes do site do IBGE.
          Foram realizados trabalhos de campo pelos espaços rurais e urbano do município de Espírito Santo do Pinhal, no intuito de observar e analisar as características da produção cafeeira, e a presença de empresas atreladas a este setor. Fora visitada a empresa de maquinário agrícola Pinhalense, onde há produção de maquinas para o segmento do café.
O café é um grão que tem a sua origem na Etiópia, e em algum momento foi levado para a Arábia Feliz, onde se expandiu pela costa do mediterrâneo. Após isso, ele chegou a países europeus como França, Itália, Inglaterra e Holanda.
       Foram os franceses que trouxeram o grão para o Novo Mundo, e chegou ao Brasil por contrabando. Segundo Valverde (1985) “Diz a lenda que, durante a visita que Palheta fizera ao governador de Caiena, a esposa deste, num gesto de extrema amabilidade, pusera grão de café no bolso do jaleco de Palheta[...]”.  Porém, outros fatores que históricos mostram que a história não passa de uma lenda, mas, sabe que que houve um plano para burlar as restrições dos franceses para o comércio das mudas de café para o território brasileiro.
       O caminho do café no Brasil iniciou-se no Pará, seguindo para Amazonas e Maranhão, e seguiu para o Rio de Janeiro. Uma das principais causas do boom do café, foi a revolução industrial, e após isso, ele se estende até o Vale do Paraíba, indo em direção a São Paulo e à Zona da Mata de Minas Gerais.  
Espírito Santo do Pinhal, produz café antes da abolição da escravidão, em 1888, pois, quando o tratado foi acordado a cidade continha mais de mil escravos (Tessarine eTorres).         Na cidade, foi acordado entre cafeicultores e escravos, que em troca da liberdade, o escravo prestaria um ano de serviços, evitando assim, um êxodo em massa dos escravos. Como grande parte do país, essa mão-de-obra escrava, foi substituída pelos imigrantes, que na região de Espírito Santo do Pinhal, vieram da Itália.
Pode-se notar, como a cafeicultura foi próspera, desde o início da formação do município, mas, como em todo o Estado, a crise cafeeira que antecedeu o golpe de 30, afetou Espírito Santo do Pinhal, por ser um município tão ligado, e dependente do café.
      O clima e o relevo montanhoso propiciaram a cultura do café, o que transformou e o município em pólo cafeicultor. De acordo com Tessarine e Torres (2008), a atividade cafeeira, que estruturou a economia do município, fez com que outras atividades se destacassem como “[...] centro de comercialização, polo produtor de equipamentos para o processamento do café e o centro de pesquisas cafeeiras. ”
        Dentre os municípios paulistas, Espírito Santo do Pinhal se destaca pela quantidade de toneladas produzidas do café em grão do tipo arábica em 2015. Importante ressaltar que nem todos os municípios do estado são produtores de café do tipo arábica ou do tipo canephora.
       Utilizando os dados apenas dos munícipios produtores de café do estado de São Paulo, no ano de 2015, com relação a produção agrícola municipal de lavoura permanente de café (em grão) do tipo arábica, pode-se analisar que dos 645 municípios, 332 produzem café do tipo mencionado, ou seja, 51,5% dos municípios do estado, totalizando 25.4348 toneladas. (IBGE, acesso em agosto de 2017)
Espírito Santo do Pinhal foi o segundo maior produtor com 14.400 toneladas, e foi responsável por 5,7% da produção do estado. Válido ressaltar que todos os municípios pertencentes a Região de Governo de São João da Boa Vista são produtores de café, e no ano de 2015, a Região de Governo produziu 54.117, ou seja, 21,3% da produção do Estado de São Paulo desse tipo de café.
      Sabe-se que o rural emprega muitos trabalhadores nas lavouras cafeeiras, e em Espírito Santo do Pinhal, o urbano também está inserido na relação emprego-cafeicultura, pois, há corretoras de café, torrefação, cooperativas e indústrias.
Segundo Torres e Tessarine (2008), algumas empresas que comercializam e ou comercializaram café, no município foram: Cooperativa dos cafeicultores da Região de Espírito Santo do Pinhal; Irmãos Ribeiro Comércio de Exportação e Importação Ltda.; Icatú Comércio de Exportação e Importação Ltda; Sumatra Comércio de Exportação e Importação Ltda.; Cafeeira Antônio Costa, que mudou sua razão social para Costa Café Comércio e Exportação Ltda; e L.J.M Comércio de Exportação Ltda.
        Para tentar mensurar a importância da indústria, em um campo realizado na empresa Pinhalense, que é uma empresa que atua a mais de 70 anos no setor de maquinário agrícola, e atende cento e vinte países, com produtos e manutenção.
      A Pinhalense conta com três unidades na cidade de Espirito Santo do Pinhal, agregando a atividade industrial, desenvolvimento tecnológico e comercial, e além de maquinário para o café, trabalham também com maquinário para: macadâmia, cacau, guaraná, feijão e cereais, castanhas e pimentas. Outra grande empresa que produz maquinário agrícola para o segmento do café é a Palini & Alves.
        Como apontado, o café em Espírito Santo do Pinhal está presente no setor primário, secundário e terciário, e atinge as escalas municipal, regional, estadual, nacional e global, o que compete ao município status de significativa importância.
Estudos de cunho geográfico, referente a esse assunto, no município são escassos, se comparado a relevância do assunto. A cafeicultura no município, abre espaço para estudos que abrangem vários campos da geografia, podendo ser eles cultural, econômico, ambiental, urbanísticos e outros.



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