Cafeicultura em Poços de Caldas: os desafios da produção de café gourmet e o posicionamento no mercado nacional e global
Obs.: Este texto é fruto de uma iniciação científica no IFSULDEMINAS - Poços de Caldas, realizada pelo aluno Adrian Damião do curso integrado, em 2017, sob minha orientação. Pesquisa apresentada na Jornada Científica do IFSULDEMINAS em 2017. Agradecimentos ao grupo AgroFonte Alta
Resumo
O texto visa analisar os desafios
produtivos e comerciais para a feitura dos cafés gourmet em Poços de Caldas,
mais especificamente o trabalho analisou o grupo poços-caldense e regional
AgroFonte Alta, a empresa é produtora e beneficiadora de grãos e possui duas
fazendas destinadas a produção de café gourmet, além de contar com uma
infraestrutura comercial e publicitária para distribuição no mercado interno e
externo. A empresa participa da maioria das etapas da cadeia produtiva de café,
elaborando um produto com diferenciado no mercado de café regional.
O estado de Minas Gerais é o maior
produtor de café do Brasil, em 2015 alcançou mais 22,3 milhões de sacas, esse
valor corresponde mais da metade da produção nacional, segundo a Companhia
nacional de abastecimento (Conab). O Sul de Minas Gerais, em 2015, produziu
13,6 milhões de toneladas, sendo responsável por mais da metade da produção
mineira.
Nos
últimos anos não apenas o cuidado pela manutenção da liderança no mercado
nacional, mas o contínuo aperfeiçoamento do produto faz parte da preocupação,
investimento e trabalho dos atores envolvidos no processo. Umas das saídas para
a diferenciação no mercado nacional é o aprimoramento dos grãos para um consumo
mais sofisticado e de alto valor agregado. O Café gourmet é o termo proposto para a bebida e grãos
do café que apresenta
qualidade superior (especial). A apreciação e juízo são feitos por
especialistas, que são os atestadores da qualidade do grão da rubiácea.
O
município de Poços de Caldas, localizado no sul de minas, possui dezenas de
fazendas produtoras de café e beneficiadoras, além de ser um polo de empresas
correlatas ao setor da cafeicultura. O objeto de estudo é o grupo AgroFonte
Alta, a empresa possui sua sede e escritório em Poços de Caldas e as fazendas
em Campestre e Poço Fundo, as três cidades no Sul de Minas Gerais. A pesquisa
verificou os desafios vividos por um grupo cafeicultor para aumentar o alcance
de venda, além de associar maior valor aos seus produtos.
O grupo
possui duas fazendas (Campestre e Poço Fundo), uma área de armazenagem
(Campestre) e escritório em Poços de Caldas, este ano, 2019, um novo armazém
foi construído para prestar serviço aos agricultores da região.
Nas
fazendas existem áreas específicas de aprimoramento de novos tipos cafeeiros
com parceria com a Epamig e Embrapa, cabe destacar, que em uma das unidades
apresenta infraestrutura para o beneficiamento do café, (secagem, torrefação,
empacotamento) e uma área de prova e preparo da bebida. Nessa área de
beneficiamento, profissionais preparados e qualificados, associam qualidade ao
produto comercializado pela empresa.
O trabalho
de campo constatou a participação do Grupo AgroFonte Alta em todas as etapas da
cadeia de beneficiamento do café, gerando associação de valor a cadeia
produtiva. A empresa detém três marcas
de café, Mantissa, Subasio e Assis, os melhores e mais graduados grãos são
direcionados ao café Mantissa, grãos especiais, mas com menor pontuação formam
o café Subasio e os grãos normais compõe o café Assis.
A análise do
grupo AgroFonte Alta, produtor dos cafés Mantissa, Subasio e Assis, constatou
que a empresa busca anexar valor em toda cadeia produtiva da cafeicultura. Essa
busca pela produção mais completa ocorreu de forma gradativa durante os quase
17 anos de empresa. .
Cabe
destacar que a presença do grupo AgroFonte Alta, no Sul de Minas Gerais, exerce
e sofre influência do mercado de cafés finos ou gourmets, pois a região possui
outras empresas que buscam agregar qualidade na cadeia produtiva de café em
suas respectivas marcas. Deste modo, podemos levantar a hipótese, para outros
trabalhos, que a área está passando por profundas transformações por um eficaz
ambiente de concorrência e competição na produção de cafés especiais, finos ou
gourmet. O Sul de Minas, em uma análise primária, possui uma infraestrutura
produtiva direcionada para a cafeicultura, desde instituições de pesquisa
(UFLA, Embrapa, Emater, IFSULDEMINAS, Consórcio do café), cooperativas
(Cooxupé, Copfam, Copoços) e empresas de produção e exportação de café finos.
Em
nosso estudo verificamos que o grupo Agro Fonte Alta participa de todas as
fases da cadeia produtiva de café. O trabalho montou um fluxograma demonstrando
todas as fases da cadeia produtiva do café, a partir do gráfico pesquisamos
através de entrevistas (escritório e fazendas) e visitas ao site da empresa que
cada etapa da cadeia cafeicultora foi contemplada. Assim, o grupo apresenta
constante evolução, sofisticação e aprimoramento na produção de cafés finos.
A
pesquisa foi de grande valia para os participantes entenderam o ambiente da
cafeicultura, seja ele em escalas mundial, nacional, regional e local. A
pesquisa ofereceu uma compreensão da cafeicultura em Poços de Caldas e região,
mais especificamente, pôde-se verificar o funcionamento de uma empresa que
busca o aprimoramento da cafeicultura e o objetivo de produzir cafés de alta
qualidade.
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