O comércio do café gera a indústria (1969) Autor: Warren Dean


Artigo do livro: Ensaios sobre o café e desenvolvimento econômico Org. Instituto Brasileiro do Café (1973)
Pontos relevantes:

·         1850 é o ano da entrada do café paulista através do Vale do Paraíba até a chegada em Campinas
·         A partir dessa data, os cafezais alcançaram o os espinhaços que auxiliavam a tributação ao rio Paraná, onde estavam solos mais férteis
·         São Paulo passa a estar ligado ao mundo pelos barcos à vapor, cabos ultramarinos, sistema de transportes mais eficientes, telégrafo em decorrência ao consumo de massa dos EUA e Europa, todos esses itens somados sofisticaram o sistema comercial do estado com casas importadoras e operações bancárias ultramarinas.
·         Praga assolou os cafezais do Ceilão, principal rival de São Paulo, abolição da escravatura em 1888, abrindo caminho a mão de obra livre, mais eficiente e a proclamação da república que  descentralizou as decisões para os estados “(...) que permitiu ao governo do estado de São Paulo estimular o comércio sem entraves, e reter, no estado, todo lucro derivado.(DEAN, p31, 1973)”
·         As exportações no porto de Santos mais que dobraram. Em 1892, Santos exportou 40 milhões de dólares; em 1912 US$ 170 milhões. A população do estado, em 1872 era de 837 mil pessoas, já em 1900, mais de 2,2 milhões de paulistas, entretanto, no início da 1ª GGM alcançou 4 milhões de habitantes. Só o município de São Paulo contava com 580 mil paulistanos em 1920.
·         O café proporcionou para o Brasil a economia monetária, base como pré-requisito mais elementar de um sistema industrial.
·         Com a mão de obra livre o uso do dinheiro difundiu-se pela massa da população.
·         O trabalho assalariado começou a ser vantajoso no ambiente da economia cafeeira. O colonato foi a primeira grande experiência.
·         A terra adquiriu valor monetário e converteu-se num fator volátil de troca. Era vendida para obtenção de máquinas agrícolas, ações de uma firma comercial e execução de hipoteca. Novos bancos investiam nas transações de café a curto prazo.
·         Os cafeicultores se interessaram pelos aspectos financeiros de suas propriedades e produções. Viviam mais nas cidades do que no campo. O excedente de recursos passou a financiar ferrovias, bancos, exportação e atividades imobiliárias.
·         Havia muitas greves rurais sem muita organização.
·         Pela situação variável do preço do café e das condições de trabalho no campo muitos imigrantes voltavam para seus países ou iam para a Argentina. O envio de recurso para os lugares de origem era normal em anos de alta demanda pelo café, a média de US$ 1 milhão era normal para a Itália, Banco de Nápoles.
·         A produtividade na cultura de café pouco melhorou com a expansão, apenas o transporte, o beneficiamento e a organização comercial aparentemente avançaram. A produção era tipicamente extensiva, pois a produtividade pouco melhorava, o ganho era pelo incremento de novas áreas.
·         A estrutura cafeeira de produção não exigia um consumo de modernas técnicas, assim, desse modo, o mercado de consumo para produtos mais sofisticados ficou estagnado, contribuindo pouco para demandar produtos industriais de padrão mais elevado.
·         A construção de estradas de ferro veio pela produção cafeeira.
·         O porto de Santos foi um empreendimento do café.
·         “As companhias elétricas foram, amiúde, organizadas por cafeicultores desejosos de adornar suas cidades do interior com inventos modernos.” (DEAN, p.34, 1973)
·         Os técnicos e engenheiros contratados para construir as ferrovias, também, contribuíram para a instalação das nascentes indústrias, além  da mão de obra imigrante. Institutos de educação e preparo da mão de obra forma criados em São Paulo.
·         O surto do café, nas décadas de 1880 – 90, proporcionou o movimento “ao longo de um ampla frente” para o surto industrial, Dean chama a atenção para a teoria de Gerschenkron.
·         Comparado com outros lugares da América Latina, o crescimento industrial e o desenvolvimento econômico de São Paulo foram únicos. A industrialização da área foi baseada em produzir artigos volumosos e de valor estritamente baixo, além de um alto aproveitamento das matérias-primas locais. A atividade mais importantes estavam baseadas no algodão, o couro, o açúcar, cereais e madeira de construção ou minerais não metálicos, sobretudo barro, areia, cal e pedras. A falta de grandes jazidas de ferro induziu a formação de pequenas fabricas e apenas produtos sob encomenda.
·         Entretanto, mesmo com um surto industrial de próspero potencial os industriais, investidores e pessoas ligadas as fazendas dependiam da economia exportação do café para cobrir os custos finais.
·         Mas, o surto industrial criou um ambiente que dependia menos das moedas estrangeiras, pois os artigos produzidos localmente eram abastecidos com matéria prima local e não eram pagos com o fluxo externo.
·          O Estado tinha suas forças voltadas para a cadeia produtiva do café, setor mais rentável, assim sendo, a indústria pouco teve apoio de uma política de desenvolvimento. “Até o fim da década de 1930, contudo, a substituição de importações por manufaturas nacionais não foi o resultado de um estímulo oficial compreensivo ou mesmo consciente, a não ser em casos especialíssimos.” (DEAN, p.36, 1973)
·         O industrial estava no setor de mercadorias baratas e de grande quantidade, portanto protegido pela barreira de alto custo na importação, entretanto as mercadorias nacionais eram conhecidas pela má qualidade. Para a maior parte dos consumidores aceitar os comerciantes vendiam com preços baratos.
·         Já naquela época o industrial lutava por barreiras alfandegárias mais altas.
·         Como caso curioso do ambiente técnico- industrial do estado de São Paulo, verifica-se a máquina de beneficiar café inventada por Evaristo Conrado Engelberg, no decorrer da década 1880. A máquina era de tecnologia e eficiência comprovada, entretanto não existia infraestrutura adequada para produção e venda no Brasil. Assim, Engelberg vendeu os direitos de produção para um grupo americano. Esse grupo fabricava a máquina e vendia para o Brasil e todo o mundo.
·         Em censo incompleto feito em 1907, no estado de São Paulo existia 24 mil operários na indústria e 326 firmas no estado. Em 1920, São Paulo substituiu o Rio de Janeiro como centro industrial mais relevante e, seguramente, era a maior aglomeração industrial da América Latina.

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